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Claro dos Poções - Minas Gerais - ano IV - terça-feira, 07 de setembro de 2010
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Colunista Antônio José VieiraANTÔNIO JOSÉ VIEIRA
Antonio Jose Vieira, técnico em contabilidade, professor de História, graduado pela Unimontes, com especialização em história econômica e pós graduado em metodologia do ensino. Ex-diretor da Escola E Amâncio Juvêncio e da Faculdade de Educação e Estudos Sociais de Claro dos Poções, sócio fundador e vice presidente da ADECLARO, trabalha atualmente também com pesquisa sobre energia alternativa. E-mail: toninhojv@ig.com.br


02/04/2009
Da Crise à Crise

2008, certamente entrou para a história, como o ano em que a partir dos EUA (1929 também foi), o mundo mergulhou numa das maiores crises do capitalismo.
É quase que impossível, principalmente do ponto de vista histórico, fazer uma análise ou menção, por mais simplista que seja, da crise atual, sem estabelecer alguma relação com a grande crise de 1929. Primeiro, porque considero que as duas são frutos do que poderíamos considerar contradições capitalistas. A primeira (1929), ocorreu por uma superabundância de produção industrial; esta última (2008), por uma superabundância de crédito (principalmente para o setor imobiliário, que teoricamente teria o melhor lastro de garantia).
Inquestionavelmente, o grande nome do liberalismo econômico no último século, foram os EUA. Mas, a história nos mostra que se o liberalismo é maduro e competente para se auto-conduzir em tempos de prosperidade, o mesmo não acontece em tempos de crise, e aí, assistimos a mão intervencionista do estado (nos EUA Brasil, Europa, China, etc), se tornando necessária para mostrar, ou melhor, financiar a recondução do crescimento.
Assim, como os pacotes de salvação econômica atuais de Barack Obhama, há oitenta anos o presidente americano Franklin Roosevelt através de um plano denominado New Deal, despendeu uma grande soma de esforços e recursos “públicos”, para salvar a economia dos EUA e recolocar o país nos trilhos do crescimento, o que levou 10 anos. Penso, que o reerguimento da economia mundial pós crise atual, possa ser tanto quanto dolorosa, mas no entanto mais breve que 1929.
Quanto ao Brasil, tenho que acabar concordando que o presidente Lula, fora pouco feliz ao desprezar os efeitos da crise aqui, mas que com certeza, o Brasil é um dos países mais preparados para enfrentar a crise, e certamente um dos menos afetados pela mesma, o que no entanto, não que dizer que não teremos uma queda considerável do nível da renda nacional (PIB), desemprego, postergação de investimentos, etc. Teremos sim, mas é certo que em menor proporção que na maioria dos países, e aí, não podemos desconsiderar que o modelo de liberalismo econômico pós-Fernando Collor (FHC e Lula também), tenha sido um dos pilares da boa condição de enfrentamento da crise atual pelo nosso país. Tal modelo, incrementado no Brasil nos últimos 17 anos, dentre outras coisas, transferiu para a iniciativa privada, ativos de empresas e instituições financeiras (que na grande maioria viviam a mercê dos desmandos políticos), transformando-as em sólidas potências da economia nacional e internacional, ao mesmo tempo em que as elevadas taxas de juros (as maiores do mundo), despretensiosamente, criaram mecanismos involuntários de controle do acesso ao crédito, evitando assim, um endividamento descontrolado e por conseqüência a deterioração dos créditos das instituições financeiras (como nos EUA).
Depois de assistirmos ao soterramento dos ideais da prática socialista marxista pelos escombros do muro de Berlin, cabe nos tomar como exemplo a consciência de bem comum de homens que nos honraram e honram com seus exemplos (Gandhi, Prestes, M Luther King, Antonio E Morais dentre tantos), e lutarmos enquanto cidadãos, políticos, trabalhadores ou meramente palpiteiros, pela humanização do capital, fazendo com que seja o homem o centro e os objetivos das políticas econômicas ; mesmo porque, é inconcebível, que os capitalistas tratem a política social de distribuição de renda do governo como assistencialista, enquanto que o socorro financeiro deste mesmo governo a bancos montadoras e grandes empresas, seja somente uma questão de interesse financeiro público. Entendo as duas situações como facetas de uma mesma moeda, mas necessário é que pague mais quem pode mais.
Há!... A crise? A crise, eu vejo como um momento propício para revermos os nossos preceitos, princípios, valores éticos, morais e políticos, rever também nossas capacidades e potencialidades individuais e redirecioná-las para o novo momento, criando aí uma condição e oportunidade de crescimento.
O Brasil? Penso que o Brasil tem nesta crise a oportunidade de se despontar como um dos maiores protagonistas de uma nova ordem econômica internacional e espero que isto de alguma forma resulte na melhoria das condições de vida do nosso Povo.

Antônio José Vieira

Claro dos Poções - Da Crise à Crise, por Antônio José Vieira

ADEVAN RAMIRO - 27/08/2009 às 13:58
SEMPRE E BOM VER OS SEUS SABIOS COMENTARIOS ,SAUDADES MEU QUERIDO PROFESSOR UM ABRACO.

Aderilson Fonseca - Pirapora - aderilson@clarodospocoes.com - 17/08/2009 às 11:43
Deu saudade das aulas de história!
Um abraço professor!

CLEITON LEITE - 24/06/2009 às 19:49
Quero neste espaço democrático, parabenizar o colunista que de maneira tão objetiva e brilhante traçou esse paralelo em relação a crise internacional, sem perder em nenhum momento a coerência com as palavras e isento do teor político. Cada vez mais o professor Antonio Vieira melhora sua concepção política e obrigado por poder prestigiar o artigo por intermédio da leitura, privilégio de poucos que foram seus alunos.

Reinaldo - 18/06/2009 às 18:42
Escreva mais vezes mestre. No aguardo.

Eliene Silva - 16/06/2009 às 09:43
Adorei sua cronica realmente essa comparação com a crise de 29 e otima, e ainda me ajudou em um trabalho da faculdade. muito boa! parabens!

Saulo Rodrigues - Claro dos Poções - 14/05/2009 às 08:18
tio tonin esse é o caraaaaaa. Aiiii se todos os claropocences usassem a inteligencia para o bem, para dissertar ou ate mesmo para criticas fundamentadas.

Josilma / Ul bra - 16/04/2009 às 20:37
Tive conhecimento agora do artigo, muito bom, esclarecedor,surgiro que faça o mesmo , sobre a Agência de Desenvolvimento ADECLARO. Vai ou não vai ter a cavalgada este ano ?

Ismael Sérgio Fonseca - 09/04/2009 às 08:30
Esse é meu professor... Parabéns Toninho.

marcos avelino - 08/04/2009 às 16:10
uma aula!!!!
bem oportuna sua intervençao, trouxe liçoes do passado para que possamos compreender aonde estamos em meio a crise e, ate que ponto seremos incomodados por ela..
fez-me relembrar do new deal-entre guerras, como imprescindiveis as aquelas medidas para soerguer o mundo capitalista.
por aqui, esperamos menos leviandade dos nossos entes politicos ao enfrentá-la.
excelente estudo!!
parabens.

Alvaro - M Claros - 06/04/2009 às 20:27
Sinto orgulho de ser claropoçense, sinto orgulho de ter sido seu aluno .Valeu professor

Cleber Coutinho - Claro dos Poções/MG - 06/04/2009 às 13:44
Comentários mais que acertados os feitos pelo amigo Professor Toninho. Realmente o liberalismo econômico desenfreado imposto pelas nações capitalistas dominantes e aceitos passivamente pelos países em desenvolvimento e pobres com certeza trouxe mais malefícios que benefícios. Todavia, o governo Lula conseguiu nesses quase 8 anos fazer inveja ao resto do mundo, trazendo crescimento ecônomico com crescimento hunamo e redução das desigualdades sociais, coisa que o governo FHC, apesar do esforço, só conseguiu sonhar. Lula se destaca por ser influente internacionalmente e popular internamente sem ser canastrão ou populista como o Senhor Chaves. Por ter sido criado no berço político do PT e de Lula pude acompanhar a tragetória deste grande lider desde os anos de chumbo até a atualidade e sempre tive certeza de que seria um ótimo estadista. Como disse o Obama: "Esse é o cara".

Jussara L.;Claro dos Poções - 06/04/2009 às 11:44
Sábias palavras, Professor. Li agorinha mesmo, uma outra crônica sobre a crise atual, e ela começou com um dizer conhecido: 'Quando os EUA espirram, o Brasil fica resfriado'. Mas a coisa está tão complicada, que talvez nosso país pegue uma pneumonia!!!

Hamilton Dorneles - 05/04/2009 às 14:17
Quem sabe essa nova ordem econômica não traga boas novas que atinjam inclusive pequenos municípios como nosso Claro dos Poções hein professor, e que não demore muito a gente veja recursos e investimentos privados chegando e fomentando empregos pra essa gente toda aí. Não é fácil não, mas vamos sonhar né, hehe.
Abraço ao grande Professor Toninho, sábio como poucos!

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